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Negociações para um novo acordo global do clima recomeçam em Bonn
Reunião marca início das negociações da Plataforma de Durban para Ação Aumentada, grupo de trabalho que tem até 2015 para fechar um acordo global de corte de emissões que agrade países ricos e pobres.
A retomada das negociações do clima promete "duas semanas emocionantes", afirmou Christiana Figueres, secretária-executiva da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), na abertura do encontro, nesta segunda-feira (14/05) em Bonn. A primeira reunião desde a Conferência em Durban (COP 17), em dezembro passado, também aquece os debates para a COP 18, que acontece no fim do ano em Doha, no Catar.
A declaração de Figueres se explica em parte pelo início dos trabalhos do grupo definido pela chamada Plataforma de Durban para Ação Aprofundada (ADP, na sigla em inglês). Conforme definido na COP 17, o grupo tem a missão de desenvolver "um outro instrumento legal ou acordo com força legal" que seja válido para todos os 194 países que fazem parte da UNFCCC.
Na prática, a ADP deve gerar uma versão revigorada do Protocolo de Kyoto que obrigue todos – ricos e pobres – a cumprir regras para reduzir as emissões dos gases estufa e a adotar medidas de adaptação às mudanças climáticas. A ADP tem até 2015 para finalizar um projeto de acordo. O cronograma prevê que a negociação final aconteça na COP 21 e que as regras passem a valer a partir de 2020.
"Agora nós precisamos manter esse ímpeto político e contar com o engajamento de todos os países", declarou Figueres, afirmando que o encontro de Durban foi um ponto de virada nas negociações, mas evitando demonstrar otimismo exagerado.
A lacuna e Kyoto
Embora a UNFCCC considere que Durban tenha dado um novo impulso às negociações climáticas, as contas para evitar que a temperatura global suba no máximo 2 graus Celsius ainda não fecham. Um estudo recente do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) mostrou que, mesmo que todos os acordos existentes sejam cumpridos, o planeta ficará inevitavelmente de 2,5 a 5 graus mais quente.
A resposta a essa lacuna, afirma Figueres, depende principalmente dos países ricos: eles teriam que liderar o esforço para cortar emissões e apoiar os mais pobres. Mas as nações industrializadas caminham em ritmo lento, criticam as organizações não governamentais presentes em Bonn.
O trauma da recusa canadense em cumprir o segundo período do Protocolo de Kyoto ainda está muito presente. "Há um risco de que Austrália e Nova Zelândia se inspirem nesse mau exemplo, já que, até agora, esses países não se comprometeram com a extensão do protocolo", criticou Tove Ryding, do Greenpeace Internacional.
Além de um novo acordo climático, a reunião em Bonn também discute os detalhes da chamada segunda fase do Protocolo de Kyoto – por exemplo se ela vai durar cinco ou oito anos. A decisão final será tomada em Doha, e o acordo passa a valer já no início de 2013, quando expira o primeiro período do Protocolo de Kyoto (assinado em 1997 e em vigor desde 2005) e começa o segundo período.
O que vem pela frente
A expectativa dos ambientalistas é que até 2015 a crise econômica, que hoje domina a agenda dos líderes internacionais, tenha chegado ao fim. E novas lideranças em países historicamente poluidores também já deverão ter despontado. Até lá, eventos importantes sobre desenvolvimento sustentável, como a Rio+20, vão incrementar a discussão climática.
A conferência na cidade brasileira marca os 20 anos da Eco92, que deu origem à UNFCCC. A expectativa é que a Rio+20 discuta a proposta de criação de um órgão forte de Meio Ambiente dentro da ONU, nos moldes da OMs (Organização Mundial da Saúde) e da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação).
"Nós apoiamos a intenção da Rio+20, que é pensar no mundo que nós queremos viver no futuro", disse Figueres, lembrando que a conferência vai discutir temas ligados ao desenvolvimento sustentável, economia verde e educação. "Também acreditamos que eventos como esse sempre são úteis para as negociações do clima", adicionou a secretária. Ela quis deixar claro, no entanto, que a UNFCCC deve continuar seu trabalho como corpo independente dentro das Nações Unidas.

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